quarta-feira, 25 de junho de 2008

Quando deixamos de ver?



O verbo "Ver", do latin videre, pode significar "conhecer ou perceber pelo sentido da vista", "contemplar" ou "presenciar". E é considerando esses significados que pergunto: Quando deixamos de ver?

Deixamos de ver quanto nos acostumamos com o ambiente (trabalho, casa, cidade, pessoas). As mudanças nos trazem uma oportunidade [necessidade] de ver as coisas de forma diferente. Nos faz re-considerar, re-presenciar ou re-ver.

Vou dar um exemplo bem prosaico, mas, para mim, ilustrativo. A primeira vez que mudei de cidade e fui às compras, eu queria comprar arroz e existiam muitas marcas, mas não a que eu estava habituada. Já comentei sobre o problema do excesso de escolhas, mas o ponto aqui é outro: eu não tinha conhecimento prévio das marcas. Sem perceber, eu sempre comprava a mesma marca, sem considerar outras possibilidade, e a aceitava como a melhor opção. Então, a mudança de cidade me fez re-considerar (ou re-ver) até o arroz que compraria. Transpondo esse exemplo para o ambiente de trabalho. Nós re-pensamos nossas atividades e contribuições? Nós consideramos novas alternativas (sim, elas surgem às vezes)? Ou apenas repetimos antigos processos e padrões aos quais estamos acostumados? Trocar de atividade, de posição no local de trabalho, passar por um corredor diferente são formas de mudanças que podem nos levar a re-perceber o ambiente. Em relação às pessoas, quando foi que você deu uma boa olhada no rosto do seu colega, amigo, namorado, irmão? Você continua vendo-o (percebendo-o) ou se acostumou com sua presença?

Hoje moro em outro país e quando cheguei achava tudo diferente. Além das grandes e óbvias diferenças, a mudança me fazia perceber as pequenas diferenças. Percebia um passarinho cantando (não lembro a última vez que percebi isso na minha cidade natal, mas os passarinhos também cantam lá), as crianças sorrindo e saberia dizer se uma placa estava em lugar diferente. Eu estava constantemente contemplando, presenciando, vendo ao meu redor. Depois de alguns meses, o sentimento de novidade diminuiu. Ontem, ao sair de casa, notei uma casa no caminho com outra cor e um jardim diferente. Não vi a mudança acontecendo. Quando deixei de ver? Imagino que tenha sido no mesmo momento em que me senti em casa (me acostumei) Hora de mudar de novo? Acho que ainda não, mas hoje vim para o trabalho por outro caminho.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Excesso de escolhas

Interessante a palestra do psicólogo Barry Schwartz: O paradoxo da escolha! Segundo ele, excesso de escolhas pode gerar insatisfação e paralisia.

Quem nunca passou tempos em frente ao guarda-roupa escolhendo uma roupa para trabalhar? (as mulheres, provavelmente).Você pode argumentar que nenhuma roupa era adequada e, por isso, a demora. Mas, será mesmo?

Ter escolhas é muito bom, sem dúvida! E é um privilégio tê-las. Mas, o excesso de escolhas não pode se tornar um peso. Os exemplos da palestra são bem americanos. Ainda assim, vale assistir: insigths tanto para a vida pessoal, como para a profissional. Uma solução boa o suficiente e tempestiva, é melhor que uma solução excelente que nunca sai do papel (ou que custa muito [tempo, dinheiro, energia] para sair). Para isso, limitar conscientemente algumas escolhas pode ser um caminho interessante.



* Essa é uma palestra do TED Talks. TED (Technology, Entertainment, Design) é uma conferência anual que reúne vários pensadores desses três mundos.

terça-feira, 3 de junho de 2008

"Qualquer coisinha", não!

Quando bem pequena, passando por uma loja, pedi insistentemente
a minha mãe: "compra, compra". E, em resposta à pergunta
"Compra o quê?", respondi: "Qualquer coisinha,mãe".
Isso a fez repensar o que eu estava aprendendo.
Não lembro do acontecido.
Mas lembro, sim, da educação para um consumo mais consciente.

Hoje, vejo que o consumo consciente é importante não só
sob uma perspectiva pessoal, mas também para a preservação
do mundo em que vivemos.
Quando consumimos de forma desmedida e impensada,
não só nos prejudicamos.
Nós reforçamos uma cadeia de produção nociva
para o meio-ambiente e para a sociedade como um todo.

"A História das Coisas", um vídeo muito educativo,
faz várias conexões entre grandes questões ambientais e sociais.

Ele é especialmente importante para nós, brasileiros,
porque estamos dos dois lados da moeda:
consumidores e "consumidos".



Vi o vídeo pela primeira vez no blog "As Coisas" e
ele me marcou muito (merece várias reflexões).
Agora achei essa versão com legenda em português. Imperdível!

O espírito de colaboração

Tenho lido bastante sobre Open Source e software livre*. Várias lentes podem ser escohidas para observar o tema. Me interessa, em particular, entender como os grupos se organizam, como colaboram entre si e o como um produto é gestacionado. Nomes para minhas lentes? Gestão de Projetos, Processos, ou Gestão de Conhecimento. Muitas outras lentes são interessantes, mas exercitando uma saudável limitação de escolhas (mais sobre isso em uma próxima postagem), fiquei com essas.

A área de Gestão de Conhecimento estuda aspectos de colaboração há algum tempo. Programas de gestão de conhecimento organizacional ("bem sucedidos" ou não), mencionavam a importância de comunidades de interesse, fóruns, lista de perguntas frequentes e bases de dados de conhecimento acessíveis, como instrumentos para trocar e transferir conhecimento na organização. Mas, uma questão recorrente, nesses programas, era: por que as pessoas colaborariam? E, muitas vezes, elas não colaboravam.

Open-source economics ** foi uma das boas palestras que assisti. Yochai Benkler explica como projetos colaborativos como Linux e Wikipedia são o próximo estágio das organizações. Esses projetos colaborativos, em contraposição ao modelo industrial, seriam um novo modelo de produção, que pode mudar a maneira que vemos o mundo e evoluimos nosso conhecimento . Exemplos bem sucedidos de colaboração são apresentados.

O movimento de software livre não criou a idéia de colaboração, mas esse é o seu espírito. Por motivos altruístas ou particulares, milhares de "voluntários" dedicam tempo para colaborar com algo que beneficia a muitos. Um espírito talvez parecido com o de ONGs, que são criadas com os mais diferentes desejos. Observar como a colaboração e a organização dos projetos acontecem pode nos falar muito sobre modelo(s) de gestão que podem ser aplicados em outros domínios. Alguns exemplos: o "Open architecture network" ou a própria Wikipedia (nela o computador é um meio, o fim: uma enciclopédia pública mundial!).

Boas considerações sobre a colaboração na comunidade de sofware livre em Bazedral.

* A distinção entre "Open Source" ou "Free Software" não é importante para essa postagem
** Essa é uma palestra do TED Talks. TED (Technology, Entertainment, Design) é uma conferência anual que reúne vários pensadores desses três mundos.