
O verbo "Ver", do latin videre, pode significar "conhecer ou perceber pelo sentido da vista", "contemplar" ou "presenciar". E é considerando esses significados que pergunto: Quando deixamos de ver?
Deixamos de ver quanto nos acostumamos com o ambiente (trabalho, casa, cidade, pessoas). As mudanças nos trazem uma oportunidade [necessidade] de ver as coisas de forma diferente. Nos faz re-considerar, re-presenciar ou re-ver.
Vou dar um exemplo bem prosaico, mas, para mim, ilustrativo. A primeira vez que mudei de cidade e fui às compras, eu queria comprar arroz e existiam muitas marcas, mas não a que eu estava habituada. Já comentei sobre o problema do excesso de escolhas, mas o ponto aqui é outro: eu não tinha conhecimento prévio das marcas. Sem perceber, eu sempre comprava a mesma marca, sem considerar outras possibilidade, e a aceitava como a melhor opção. Então, a mudança de cidade me fez re-considerar (ou re-ver) até o arroz que compraria. Transpondo esse exemplo para o ambiente de trabalho. Nós re-pensamos nossas atividades e contribuições? Nós consideramos novas alternativas (sim, elas surgem às vezes)? Ou apenas repetimos antigos processos e padrões aos quais estamos acostumados? Trocar de atividade, de posição no local de trabalho, passar por um corredor diferente são formas de mudanças que podem nos levar a re-perceber o ambiente. Em relação às pessoas, quando foi que você deu uma boa olhada no rosto do seu colega, amigo, namorado, irmão? Você continua vendo-o (percebendo-o) ou se acostumou com sua presença?
Hoje moro em outro país e quando cheguei achava tudo diferente. Além das grandes e óbvias diferenças, a mudança me fazia perceber as pequenas diferenças. Percebia um passarinho cantando (não lembro a última vez que percebi isso na minha cidade natal, mas os passarinhos também cantam lá), as crianças sorrindo e saberia dizer se uma placa estava em lugar diferente. Eu estava constantemente contemplando, presenciando, vendo ao meu redor. Depois de alguns meses, o sentimento de novidade diminuiu. Ontem, ao sair de casa, notei uma casa no caminho com outra cor e um jardim diferente. Não vi a mudança acontecendo. Quando deixei de ver? Imagino que tenha sido no mesmo momento em que me senti em casa (me acostumei) Hora de mudar de novo? Acho que ainda não, mas hoje vim para o trabalho por outro caminho.
Deixamos de ver quanto nos acostumamos com o ambiente (trabalho, casa, cidade, pessoas). As mudanças nos trazem uma oportunidade [necessidade] de ver as coisas de forma diferente. Nos faz re-considerar, re-presenciar ou re-ver.
Vou dar um exemplo bem prosaico, mas, para mim, ilustrativo. A primeira vez que mudei de cidade e fui às compras, eu queria comprar arroz e existiam muitas marcas, mas não a que eu estava habituada. Já comentei sobre o problema do excesso de escolhas, mas o ponto aqui é outro: eu não tinha conhecimento prévio das marcas. Sem perceber, eu sempre comprava a mesma marca, sem considerar outras possibilidade, e a aceitava como a melhor opção. Então, a mudança de cidade me fez re-considerar (ou re-ver) até o arroz que compraria. Transpondo esse exemplo para o ambiente de trabalho. Nós re-pensamos nossas atividades e contribuições? Nós consideramos novas alternativas (sim, elas surgem às vezes)? Ou apenas repetimos antigos processos e padrões aos quais estamos acostumados? Trocar de atividade, de posição no local de trabalho, passar por um corredor diferente são formas de mudanças que podem nos levar a re-perceber o ambiente. Em relação às pessoas, quando foi que você deu uma boa olhada no rosto do seu colega, amigo, namorado, irmão? Você continua vendo-o (percebendo-o) ou se acostumou com sua presença?
Hoje moro em outro país e quando cheguei achava tudo diferente. Além das grandes e óbvias diferenças, a mudança me fazia perceber as pequenas diferenças. Percebia um passarinho cantando (não lembro a última vez que percebi isso na minha cidade natal, mas os passarinhos também cantam lá), as crianças sorrindo e saberia dizer se uma placa estava em lugar diferente. Eu estava constantemente contemplando, presenciando, vendo ao meu redor. Depois de alguns meses, o sentimento de novidade diminuiu. Ontem, ao sair de casa, notei uma casa no caminho com outra cor e um jardim diferente. Não vi a mudança acontecendo. Quando deixei de ver? Imagino que tenha sido no mesmo momento em que me senti em casa (me acostumei) Hora de mudar de novo? Acho que ainda não, mas hoje vim para o trabalho por outro caminho.
6 comentários:
Gostei muito.
Acontece o mesmo comigo.
Com sua incontestável inteligência, você conseguiu expressar de forma muito simples a importância de se mudar, sempre! Mesmo me sentindo, às vezes, um pouco limitada (por algumas crenças, por alguns medos, por minha família e, agora, por minhas filhas), sempre soube disso. Amei ter tido a oportunidade de ler seu texto. Ele me fez re-pensar, re-considerar algumas oportunidades, necessidades... Grande beijo!
Lembrei da nossa conversa a respeito da minha mudança (ou construção)de
planos pro semestre que vem...
A foto tá perfeita!
A observação das "pequenas coisas" (não acredito que sejam pequenas!) sempre
é essencial e nos treina a não viver na rotina. Difícil é mudar sempre,
e descobrir o que mudar!rs
No entanto, existem algumas opiniões ou conclusões que nunca mudo... uma
delas é a constatação do quanto você é inteligente e especial.
Fico feliz que o texto tenha tido ressonância! :-)
Obrigada!
Deixamos de ver, quando perdemos nossa capacidade de mudar...quando nos escondemos no coelho (;)) e deixamos de achar a graça de cada ser que nos rodeia...quando deixamos de achar graça na vida.
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